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terça-feira, 10 de maio de 2011

Um pouco de poesia não faz mal!

Com um toque de cinema italiano, lembrando-me especialmente os filmes do mestre Fellini, esse breve vídeo nos conduz ao castelo de um poeta que vivia seus sonhos, ladeados por uma ”vida inteira que podia ter sido e que não foi ”. Foi poeta, e isso basta.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Passeio Noturno.

Um texto de Rubem Fonseca.

Cheguei em casa carregando a pasta de papéis, relatórios, pesquisas, propostas, contratos. Minha mulher, jogando paciência na cama, disse, sem tirar os olhos das cartas, você está com um olhar cansado. Os sons da casa: minha filha no quarto dela treinando empostação de voz, a música quadrifônica no quarto do meu filho. Você não vai largar essa mala?, perguntou minha mulher, tira essa roupa, bebe um uísquinho, você precisa aprender a relaxar.

Fui para a biblioteca, o lugar da casa onde eu gostava de ficar isolado e como sempre não fiz nada. Abri o volume de pesquisas sobre a mesa, não via as letras e os números, eu esperava apenas. Você não pára de trabalhar, aposto que os teus sócios não trabalham nem a metade e ganham a mesma coisa, entrou minha mulher na sala com o copo na mão, já posso mandar servir o jantar? A copeira servia à francesa, meus filhos tinham crescido, eu e minha mulher estávamos gordos. É aquele vinho que você gosta, ela estalou a língua com prazer.

Meu filho me pediu dinheiro quando estávamos no cafezinho, minha filha me pediu dinheiro na hora do licor. Minha mulher nada pediu, nós tínhamos conta bancária conjunta. Vamos dar uma volta de carro?, convidei. Eu sabia que ela não ia, era hora da novela. Não sei que graça você acha em passear de carro todas as noites, também aquele carro custou uma fortuna, tem que ser usado, eu é que cada vez me apego menos aos bens materiais, minha mulher respondeu. Os carros dos meninos bloqueavam a porta da garagem impedindo que eu tirasse o meu. Tirei os carros dos dois, tirei o meu, coloquei os dois carros novamente na garagem, fechei a porta, essas manobras todas me deixavam levemente irritado, mas ao ver os pára-choques salientes do meu carro, o reforço especial duplo de aço cromado, senti o coração bater apressado de euforia. Enfiei a chave na ignição, era um motor poderoso que gerava a sua força em silêncio, escondido no capo aerodinâmico.

Saí como sempre sem saber para onde ir, tinha que ser uma rua deserta, nesta cidade tem mais gente que moscas. Na Avenida Brasil, ali não podia ser, muito movimento. Cheguei numa rua mal iluminada, cheia de árvores escuras, o lugar ideal. Homem ou mulher? Realmente não fazia grande diferença, mas não aparecia ninguém em condições, comecei a ficar tenso, isso sempre acontecia, eu até gostava, o alívio era ainda maior.

Então vi a mulher, podia ser ela, ainda que mulher fosse menos emocionante, por ser mais fácil. Ela caminhava apressadamente, carregando um embrulho de papel ordinário, coisas de padaria ou de quitanda, estava de saia e de blusa, andava depressa, havia árvores na calçada, de vinte em vinte metros, um interessante problema a exigir uma grande dose de perícia. Apaguei as luzes do carro e acelerei. Ela só percebeu que eu ia para cima dela quando ouviu o som da borracha dos pneus batendo no meio-fio. Peguei a mulher acima dos joelhos, bem no meio das duas pernas, um pouco mais sobre a esquerda, um golpe perfeito, ouvi o barulho do impacto partindo os dois ossões, dei uma guinada rápida para a esquerda, passei como um foguete rente a uma das árvores e deslizei com os pneus cantando de volta para o asfalto.

Motor bom o meu, ia de zero a cem quilômetros em nove segundos. Ainda deu para ver que o corpo todo desengonçado da mulher havia ido parar, colorido de sangue, em cima de um muro, desses baixinhos de casa de subúrbio.

Examinei o carro na garagem. Corri orgulhosamente a mão de leve pelo pára-lamas, os pára-choques sem marca. Poucas pessoas, no mundo inteiro, igualavam a minha habilidade no uso daquelas máquinas.

A família estava vendo televisão. Deu sua voltinha, agora está mais calmo?, perguntou minha mulher, deitada no sofá, olhando fixamente o vídeo. Vou dormir, boa noite para todos, respondi, amanhã vou ter um dia terrível na companhia.

domingo, 20 de março de 2011

Escrevendo melhor!


Todos nós sabemos a importância que tem saber escrever da forma correta; ainda mais com o novo acordo ortográfico que começou a vigorar. A pesar disso, muitas dúvidas ainda existem e que atrapalham a nossa vida.

Dessa forma, o Site da Uol fez uma lista com as palavras mais utilizadas e atualizadas para nos auxiliar.

Para ver a lista, clique AQUI.